terça-feira, 20 de julho de 2010

O que é arte?

Outro dia, estava eu andando por um dos maiores e mais movimentados shoppings da cidade - com muita pressa, só pra variar - quando ouvi ao longe um som de saxofone. Boa música, bem tocada. Agucei os ouvidos para descobrir de onde vinha a música e fui até ela.
Um pequeno tablado, um homem, um saxofone e dezanas de pessoas ao redor. Eu ouvia a música. Eu olhava as pessoas; mirava suas expressões, silêncios, cochichos. Gente com sacola, gente com livros, gente com jaleco pendurado no ombro, gente com mochila, gente com carrinho de bebê, gente na cadeira de rodas, gente observando.
Fiquei pensando sobre a arte.
Acho que arte é essa coisa que faz dezenas de pessoas interromperem o fluxo acelerado do cotidiano e pararem no meio do shopping para ouvir música. Acho que é essa coisa que faz dezenas de pessoas estamparem no rosto um jeito de... um jeito de... ah! não sei jeito de quê, mas é tão bom...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Aulas de ortografia para computador

Quem nunca vivenciou as dores e delícias da ferramenta de auto-correção dos editores de texto?
Que maravilha quando - na pressa, na ignorância ou na dúvida - aquela palavrinha grafada erradamente aparece sublinhada de vermelho e me permite retificar as imperfeições em meus escritos!!!
Que pesadelo quando, sem ser convidado, o recurso de auto-correção quer se intrometer entre o sujeito e o predicado da minha oração!!
Ultimamente, tenho sofrido muito, muito mesmo, por causa do Novo Acordo Ortográfico entre os países de Língua Portuguesa (que já não é nem mais tão novo assim... mas confesso que demorei de concluir esse post por pura preguiça, rsrs). Pois bem, essa tal ferramenta insiste em colocar acento nas minhas ideias, assembleias, odisseias e estreias; em apartar minha antessala, meu antirreflexo e meu antirruído e, ainda por cima, quer trema na linguiça!!!
Procuro um professor de ortografia para computadores. Quem souber de algum, favor deixar recado aqui no blog. Desde já, agradeço.

Hum... surgiu uma dúvida: alguém aí sabe se auto-correção agora é junto ou separado?
Vou ali na página vizinha olhar o acordo e volto já...

terça-feira, 15 de junho de 2010

Sim, é tempo de Copa!

Ao contrários dos anteriores, esse ano demorei para entrar em clima de copa. A ficha caiu há poucos dias, mais precisamente, na véspera da cerimônia de abertura. Uma história em três turnos.

Manhã: recebi o e-mail de uma pessoa querida com o link para o clipe da música oficial da copa "Waka, Waka - This Time For Africa". Adorei o clipe. A música é contagiante, o colorido é muito bonito, as cenas selecionadas foram bilhetes para pequenas viagens em minhas memórias de copas do mundo. Sem falar que gosto muito de Shakira. Todas aquelas pessoas - adultos, crianças, homens, mulheres, de etnias diferentes, costumes diferentes - ligadas pelo futebol. Não posso precisar o que senti, mas foi algo tão bom..."Sim, é tempo de Copa".

Tarde: saí de casa rumo ao centro da cidade. No ônibus, circulando pelas ruas do bairro, vi várias ruas enfeitadas; entre um poste e outro, filas e mais filas de bandeirodas verdes e amarelas. Mais adiante, algumas pessoas trabalhando juntas: um homem sobre um escada atava a cordinha com bandeirolas na grade de um sobrado, do lado oposto rua, em outra escada, um rapazinho aguardava a conclusão da tarefa do primeiro para receber a ponta restante e prender em um poste; na calçada, algumas mulheres montavam as cordinhas, auxiliadas por crianças que corriam de um lado a outro agitando as bandeirolas. "Sim, é tempo de Copa".

Noite: chego em casa, e antes de descer do ônibus vi o lustre canarinho tomando metade da rua. Aqui o trabalho também estava em andamento. Sigo em direção à minha casa, e vejo que lá é o centro de operações: minha mãe, meus irmãos e alguns vizinhos granpeando bandeirolas, e outros dois colocando nos postes. Há muito tempo não via os vizinhos reunidos assim, ou talvez nunca tenha visto antes; de qualquer modo, me agradava a cena. Pessoas que apenas se cumprimentavam com um cordial "Bom dia", quando muito, convidavam para as festinhas de aniversário das crianças, ali, juntas, trabalhando para deixar a rua "no clima". Fora minha mãe quem capitaneara: saiu de porta em porta conclamando os vizinhos, organizou a "vaquinha" e distribuiu as tarefas. "Sim, é tempo de Copa!".

Essas três cenas fizeram-me recordar o motivo pelo qual, além do futebol, é claro, eu gosto tanto das Copas: o sentimento de união e proximidade que parece tomar conta do mundo...


segunda-feira, 7 de junho de 2010

Se um viajante numa noite de inverno


Acabei de ler um livro de Ítalo Calvino cujo título é o mesmo desse post.
O durante e o depois da leitura me fizeram pensar em minha relação com livros, filmes, músicas, pinturas que gosto.
Existem coisas das quais gosto e que quero guardar só para mim, por issso não ouso e nem consigo subtantivá-las e adjetivá-las. Amo porque amo. Reservo-me ao direito de simplesmente dizer que gosto, e só. É como se, ao dizer o por que, deixasse escapar um pouquinho desse sentimento precioso que mantém unidos a obra e eu.
Existem coisas das quais gosto e que a vontade compartilhar o que sinto com e por elas é imensa; não consigo nem quero controlar o fluxo das palavras, deixo fluir. É como se, ao dizer o por que, deixasse escorrer pelos poros e fizesse crescer esse sentimento precioso que não cabe em mim.
As vezes fico muito inquieta com essa mania de ter que ter o que dizer sobre tudo. Penso que nem tudo é para ser dito, nem tudo a gente consegue dizer, nem tudo a gente quer dizer. Na minha vida há espaço para um "não sei o quê", e o livro de Calvino habita esse espaço.
"Se um viajante numa noite de inverno, fora do povoado de Malbork, debruçando-se na borda da costa escarpada, sem temer o vento e a vertigem, olha para baixo onde a sombra se adensa numa rede de linhas que se entrelaçam, numa rede de linhas que se entrecruzam no tapete de folhas iluminadas pela lua ao redor de uma cova vazia, que história espera seu fim lá embaixo?"