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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Ah! Essa Clarice!



"Não me lembro mais qual foi nosso começo. Sei que não começamos pelo começo. Já era amor antes de ser."

Clarice Lispector

domingo, 17 de fevereiro de 2013

De poesia





"Poesia serve exatamente para a mesma coisa que serve uma vaca no meio da calçada de uma agitada metrópole. Para alterar o curso do seu andar, para interromper um hábito, para evitar repetições, para provocar um estranhamento, para alegrar o seu dia, para fazê-lo pensar, para resgatá-lo do inferno que é viver todo santo dia sem nenhum assombro, sem nenhum encantamento".

de Martha Medeiros, em Doidas e Santas

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Indiferença


Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada especialmente.
(de Adriana Falcão, Mania de Explicação)

quarta-feira, 14 de março de 2012

Salve Castro Alves!

Para comemorar o Dia Nacional da Poesia (14/03), compatilho um poema de Castro Alves, patrono desta data e cujo aniversário natalício se celebra hoje.
Há 165 anos, a Bahia viu nascer o menino Cecéu, que mais tarde se tornaria poeta dos escravos, cantor da liberdade e amante das mulheres - na cama e em versos.
Suas obras estão disponíveis no Portal Domínio Público (clique aqui). Vale a pena (e muito!) conferir! Eu amo o prólogo de Espumas Flutuantes, obra que abriga o poema abaixo.


A duas flores

São duas flores unidas,
São duas rosas nascidas
Talvez no mesmo arrebol,
Vivendo no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
Das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!


domingo, 14 de agosto de 2011

De Pessoa

"Encontro às vezes, na confusão vulgar das minhas gavetas literárias, papéis escritos por mim há dez anos, há quinze anos, há mais anos talvez. E muitos deles me parecem de um estranho; desconheço-me neles. Houve quem os escrevesse, e fui eu. Senti-os eu, mas foi como em outra vida, de que houvesse despertado agora de um sono alheio.
"É freqüente eu encontrar coisas escritas por mim quando ainda muito jovem – trechos dos dezessete anos. E alguns têm o poder de expressão que me não lembro de poder ter tido nessa altura da vida. Há em certas frases, em vários períodos, de coisas escritas há poucos passos da minha adolescência, que me parecem produto de tal qual sou agora, educado por anos e coisas. Reconheço que sou o mesmo que era. E, tendo sentido que estou hoje num progresso grande do que fui, pergunto onde está o progresso se então era o mesmo que hoje sou.
"Há nisto um mistério que me desvirtua e oprime".

Fernando Pessoa, Livro do Desassossego



domingo, 23 de janeiro de 2011

Só tu

(Arrumando gavetas, olha só o que eu encontro...)

Dos lábios que me beijaram,
Dos braços que me abraçaram
Já não me lembro, nem sei...
São tantas as que me amaram!
São tantas as que eu amei!
Mas tu - que rude contraste! 
Tu, que jamais me beijaste,
Tu, que jamais abracei,
Só tu, nestalma, ficaste,
De todas as que eu amei. 

                 Paulo Setúbal

(... será que todo mundo tem um amor inesquecível?)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Conversa com Drummond

O mundo é grande
e cabe nesta janela sobre o mar.

O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.

O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Amor

Amor
é um gostar
que não diminui de
um aniversário para o outro.

Não. Amor é um exagero...
Também não. É um desadoro...

Uma batelada? Um enxame, um dilúvio,
um mundaréu, uma insanidade, em destempero,
um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?


Talvez porque não tivesse sentido.
talvez porque não houvesse explicação,
esse negócio de amor,
ela não sabia explicar,

a menina.

(do livro Mania de Explicação, de Adriana Falcão)



sexta-feira, 24 de abril de 2009

Um pouquinho de Castro Alves...

Os três amores

I

Minh’alma é como a fronte sonhadora
Do louco bardo, que Ferrara chora...
Sou Tasso!... a primavera de teus risos
De minha vida as solidões enflora...
Longe de ti eu bebo os teus perfumes,
Sigo na terra de teu passo os lumes...
— Tu és Eleonora...

II

Meu coração desmaia pensativo,
Cismando em tua rosa predileta.
Sou teu pálido amante vaporoso,
Sou teu Romeu... teu lânguido poeta!...
Sonho-te às vezes virgem... seminua...
Roubo-te um casto beijo à luz da lua...
- E tu és Julieta...

III

Na volúpia das noites andaluzas
O sangue ardente em minhas veias rola...
Sou D. Juan!... Donzelas amorosas,
Vós conheceis-me os trenos na viola!
Sobre o leito do amor teu seio brilha
Eu morro, se desfaço-te a mantilha
Tu és — Júlia, a Espanhola!...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Repartindo

Maria

Onde vais à tardezinha,
Mucama tão bonitinha,
Morena flor do sertão?
A grama um beijo te furta
Por baixo da saia curta,
Que a perna te esconde em vão...

Mimosa flor das escravas!
O bando das rolas bravas
Voou com medo de ti!...
Levas hoje algum segredo...
Pois te voltaste com medo
Ao grito do bem-te-vi!

Serão amores deveras?
Ah! Quem dessas primaveras
Pudesse a flor apanhar!
E contigo, ao tom d’aragem,
Sonhar na rede selvagem...
À sombra do azul palmar!

Bem feliz quem na viola
Te ouvisse a moda espanhola
Da lua ao frouxo clarão...
Com a luz dos astros — por círios,
Por leito — um leito de lírios...
E por tenda — a solidão!

Castro Alves