segunda-feira, 7 de junho de 2010

Se um viajante numa noite de inverno


Acabei de ler um livro de Ítalo Calvino cujo título é o mesmo desse post.
O durante e o depois da leitura me fizeram pensar em minha relação com livros, filmes, músicas, pinturas que gosto.
Existem coisas das quais gosto e que quero guardar só para mim, por issso não ouso e nem consigo subtantivá-las e adjetivá-las. Amo porque amo. Reservo-me ao direito de simplesmente dizer que gosto, e só. É como se, ao dizer o por que, deixasse escapar um pouquinho desse sentimento precioso que mantém unidos a obra e eu.
Existem coisas das quais gosto e que a vontade compartilhar o que sinto com e por elas é imensa; não consigo nem quero controlar o fluxo das palavras, deixo fluir. É como se, ao dizer o por que, deixasse escorrer pelos poros e fizesse crescer esse sentimento precioso que não cabe em mim.
As vezes fico muito inquieta com essa mania de ter que ter o que dizer sobre tudo. Penso que nem tudo é para ser dito, nem tudo a gente consegue dizer, nem tudo a gente quer dizer. Na minha vida há espaço para um "não sei o quê", e o livro de Calvino habita esse espaço.
"Se um viajante numa noite de inverno, fora do povoado de Malbork, debruçando-se na borda da costa escarpada, sem temer o vento e a vertigem, olha para baixo onde a sombra se adensa numa rede de linhas que se entrelaçam, numa rede de linhas que se entrecruzam no tapete de folhas iluminadas pela lua ao redor de uma cova vazia, que história espera seu fim lá embaixo?"

Um comentário:

Juan Carlos disse...

Voce e genial escrivenndo!!!
Parabens linda!!! :D
Saudades de Salvador... ;)