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domingo, 2 de agosto de 2009

Na bagunça dos arquivos

Outro dia encontrei um sonêto que fiz na escola (faz é tempo...) no período de aniversário da minha cidade.


Salvador


Salvador, minha cidade querida

Teu ar é cheio de vida

Esplêndida desde que surgiu

Tu és os coração do Brasil


Feliz de quem nasce em teu seio

Triste de quem sai de seus braços

Se longe de ti morre de saudades

Voltará novamente ao seu regaço


Minha Salvador é gloriosa

Dentre as outras, é formosa

Menina faceira e fogosa


Poesia, paixão, boemia

Salvador, capital da Bahia,

Tu és o coração do Brasil

domingo, 7 de junho de 2009

Canções pela metade


Sabe, aquelas nossas canções?
Estão pela metade, assim como eu.
O violão está sem cordas
Esperando que você coloque, afinal, ele é seu.
Se eu gritasse, será que você me ouviria?
Eu podia fazer uma serenata
Com aquele violão sem cordas,
Mas você não me ensinou a tocar,
Não me ensinou a tocar...

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Na bagunça dos arquivos...

Arrumando as minhas pastas/arquivos no computador (ou tentando arrumar, rs), encontrei um poeminha de um tempo em que já fui mais romântica...

Amo-te


Amo-te, em silêncio.
No cuidado velado,
No carinho delicado,
No verso dedicado.

Amo-te, sempre.
No som do vento a assobiar,
Nas noites sem luar,
Ao ver o sol beijar o mar.

Amo-te, bem baixinho.
No bilhete não enviado,
No olhar envergonhado,
No sorriso acanhado.

Amo-te, do meu jeito.
No caminhar errante,
Na dor dilacerante,
Na alegria de um instante.

Amo-te, por inteiro.
No beijo não dado,
No abraço adiado,
No afago desejado.

Amo-te, em segredo.
Na alegria por te ver,
Na dor de não te ter,
Na insistência em te querer.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Tic-tac


Tempo-tic, tempo-tac
Tempo, tempo, tic-tac

A flor se abriu, a menina levou.
O fruto caiu, a planta murchou.

O sol surgiu, e o horizonte tragou.
A noite subiu, e a lua assentou.

Tempo-tic, tempo-tac
Tempo, tempo, tic-tac

Do fogo de outrora, a brasa ficou.
A cinza de agora, o vento levou.

Adiante chora, aqui cantou.
O pranto foi embora, o riso voltou.

Tempo-tic, tempo-tac
Tempo, tempo, tic-tac

Na ida neném, na volta criança.
Hoje alguém, amanhã lembrança.

O que era já foi, o que é já vai indo.
O que virá será já, logo vem seguindo.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Misterioso cavaleiro


Meu misterioso cavaleiro
Em teu cavalgar errante
Levai-me contigo, no lombo
Do teu cavalo Rocinante

Recostada em teu peito, seguirei
A vibrar com cada intento
E com alegria, beijar-te-ei ao vê-lo
Derrotar os moinhos de vento

As gotas da aurora virão nos despertar
O matiz vermelho do horizonte
Pintará os labirintos do nosso caminhar

E após cada aventura e desatino
Ao fim e ao cabo de todo dia vivido
O leito de amar será nosso destino

sábado, 4 de outubro de 2008

Menina


Menina de olhos azuis,
Por que choras tanto?
Ainda não encontraste
Maneira de calar teu pranto?

Choras porque o colibri,
Que trouxe no canto a melodia do amor,
Te deixou?

Ou será que a pomba, de plumagem branca,
Que trouxe no bico as rosas de tua vida
Bateu asas e voou?

Menina de olhos azuis,
Pare de chorar!
Não percebes que assim
Teus lindos olhos irão se afogar?

Não chores nunca mais!
Oh menina de olhos azuis!
Pois, se os seus olhos se afogarem,
Nem o colibri cantor,
Nem a pomba de plumagem branca
Poderão salvá-los.
E se isto acontecer,
Oh, menina de olhos azuis!
Eu nunca mais poderei contemplá-los.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Por um laço de fita...


Gosto muito de passear pelo site Domínio Público. É um ambiente recheado de coisas interessantes - e, o melhor: disponíveis para download! Fico a procurar obras dos meus autores prediletos. Outro dia, eu acessei a página em busca de obras de Castro Alves, meu amor platônico. Baixei a obra Espumas Flutuantes. Um deleite a cada verso, a cada estrofe, a cada poema.
Em um momento da leitura meus olhos pousaram sobre o poema O Laço de Fita. Mais um suspiro, desta vez bem longo e profundo. Fiz uma viagem no tempo. Voltei aos meus onze anos de idade. Propaganda partidária... Um livro com a capa meio azul-esverdeada... Um poema... Um poeta...
Eu estava de férias em Amargosa, devia ter uns onze anos de idade - não me lembro ao certo. Seria mais uma noite como outra qualquer. Após um dia inteiro de aventuras e pedaladas, de pega-pega e esconde-esconde; um banho e todo mundo – eu e meus primos – em volta da tv para assistir novela. Trivial.
Atenção para o verbo?! Seria mais uma noite como outra qualquer. Seria... Findo o jornal, o anúncio: propaganda partidária obrigatória. Puxa vida!Propaganda partidária obrigatória! Não eram tão hilárias quanto as de hoje; ou talvez fossem e eu agora não me lembro; ou talvez fossem, mas a minha falta de conhecimentos na área de política não me permitissem compreender as piadas na época. Pois bem. Eu não tinha a menor vontade de assistir aquela falação. Acho que os outros também não tinham, já que a televisão foi desligada. Eu necessitava fazer algo que me distraísse, que ajudasse a passar o tempo.
Na sala da casa da minha tia havia uma estante com vários livros arrumados na prateleira mais alta, dentre eles uma coleção de antologias poéticas com textos da literatura alemã, inglesa e portuguesa.
Ler. Por que não? A estante piscava para mim.
Motivada por alguma coisa da qual não me lembro agora, peguei os livros meio azul-esverdeado – a coleção de antologias poéticas – e sentei-me no chão com eles no colo. Folheei, folheei, folheei, até me deter no volume de literatura portuguesa. Passei o olho em alguns versos, li outros, e me enrosquei em um laço de fita.
O laço de fita, de Castro Alves, que texto mais lindo! Quanta delicadeza, quanta sensibilidade, quanto afeto! Em minha imaginação, o laço de fita ganhava características de borboleta: leve, colorido, pululante, cheio de vida. Ah!Em minha imaginação ele era rosa. Como era possível falar de amor daquele jeito!? Como era possível... Um simples laço de fita, um simples objeto... Apesar de namorar palavras, ainda não tenho intimidade suficiente com elas para tornar comunicável o que o poema me causou e o que essas lembranças me fazem sentir agora.
Ao final daquelas férias, levei um dos livrinhos meio azul-esverdeados comigo. Em minha casa, copiei vários poemas de Castro Alves no meu diário - afinal, uma hora teria que devolver o livrinho aos seus donos, e eu já não conseguia viver sem aquelas palavras.
Visitas a uma biblioteca pública me mostraram outros poemas de Castro Alves e outros poetas. Na escola, estudar literatura ganhou outro sentido para mim. Tornou-se um dos meus assuntos preferidos. Cada vez mais eu gostava de poesia, comecei até a rabiscar uns versos. Hoje gosto de muitos poetas, porém a minha dileção por Castro Alves permanece. Seus versos estão na minha agenda, no meu armário, na minha memória, na minha vida.
Recentemente, em casa de minha tia, revisitei o livro meio azul-esverdeado. Surpresa: não encontrei O laço de fita. Olhei o livro de ponta a ponta; todas as páginas estavam no lugar, e nenhum laço de fita. Acho que me embaralhei em minhas lembranças...
Talvez, ou melhor, provavelmente tenha me aproximado de Castro Alves por outros poemas contidos no livrinho, mas foi O laço de fita, com certeza, que me fez cativa dele definitivamente. Um cárcere no qual a prisioneira deseja manter-se presa ao seu carrasco. O laço de fita prendeu Castro Alves, e Castro Alves prendeu-me à poesia com seu laço de fita.