segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Ônibus, celular e idéias

Para mim, o transporte coletivo é um meio muito fecundo. Acho que as melhores idéias que já tive foram a bordo de um ônibus: o mote ou o verso para começar um poema, a idéia-chave para a conclusão de um artigo, a compreensão de um conceito que parecia incompreensível...

Ao despontar uma idéia, procurava desesperadamente papel e caneta em minha bolsa para virtualizar minha memória – era um desespero frenético, pois as minhas idéias são muito fugazes; quando menos se espera elas batem asas e vão embora. Quem acompanhava a cena certamente imaginava-me louca. Principalmente ao observar as minhas incansáveis tentativas de escrever em com o veículo em movimento. Saía cada garrancho! Em pensamento eu desejava: “tomara que feche o sinal”, “tomara que alguém peça o ponto”. Ás vezes, entre a busca do papel e da caneta, uma parte da idéia era perdida, ou então eu mesma não conseguia decifrar os garranchos. Ô aperreio! Porém, penso eu, acho que agora encontrei uma forma de lidar com essas idéias danadinhas...

Há pouco tempo, comprei um telefone celular novo. Das muitas diferenças entre o meu aparelho anterior e o atual, esta é a melhor: a possibilidade de criar notas com até 3.000 caracteres! Isso corresponde a mais da metade – 80% – de uma página tamanho A4, escrita em fonte 12, e eu posso criar mais de 10 notas. No fim das contas, dá para escrever umas oito páginas.

Que maravilha o celular! Posso registrar os meus devaneios, uma idéia que não quero ver perdida, com a maior facilidade, sem ser notada por ninguém. O movimento do ônibus não interfere mais, na verdade ele nem é percebido, e, quando eu nem vejo, já cheguei ao meu destino, carregada de textos em meu bolso. Antes, na luta com a caneta e o papel, eu registrava um verso, tópicos, pontos importantes para serem desenvolvidos em momento oportuno. Agora eu escrevo parágrafos, estrofes, poemas completos. Por que é que eu não havia pensado nisso antes? Quantas idéias não teriam escapulido? Quantos versos registrados?

Ultimamente tenho pensado bastante, e trabalhado também, para comprar um carro – sair de casa mais tarde, chegar mais cedo –; aproveitar mais o meu tempo de estudo. Acho que vou desistir da idéia... Com um celular meio “note-book” e uns livros, o ônibus pode ser um local de estudo. Até o engarrafamento diário será menos entediante.

Para os meus companheiros de idéias fugidias, deixo uma dica: use o celular. Se a idéia for muito grande, como é o caso desse texto, que foi escrito enquanto eu me deslocava para o trabalho, os dedos irão doer um pouco. Mas o que é uma dorzinha na ponta dos dedos ante a felicidade de uma idéia?

Mas nem tudo são flores... Para não dizer que não falei dos espinhos1, pensemos em nossas cidades tão violentas. Há um grande risco de o celular ser roubado por algum ladrão observador da minha peripécia. Dói imaginar: eu descendo do ônibus, sendo abordada e... Ô aperreio! Depois de tanto trabalho para não deixar as idéias escapar, vê-las ser levadas por alguém que, provavelmente, não vai aproveitá-las; fugindo presas no bolso do larápio.

1 Em alusão à música de Geraldo Vandré.

12 comentários:

maioli disse...

Paulinha,
seu blog vaai ser uma delícia! e eu, claro, vou andar por aqui!
adoro esse texto seu.
Vc tem uns saques legais do cotidiano e uma veia de cronista. Invista!
bjs

Paulinha disse...

Obrigada, Maioli.
Vou seguir seu conselho e investir no gênero.
bjs

Mônica Paz disse...

Parabéns, começou em grande estilo!! ônibus é um dos temas do meu blog também, muito ocorre lá dentro (Até te encontrar de vez ou outra rsrrs). Vou me inscrever no RSS do seu blog e já vou esperar por esses textos e poemas que anda escrevendo. beijos

Joelma disse...

MENINA... Q CHIQUE!!
ADOREI OS TEXTOS.
PARABÉNS!!1

imagem disse...

Oi Paulinha.
É bom encontrar você por outras vias.

Abraço.

Caio

Elm@ disse...

Amei. Que privilégio ser sua amiga...beijos!

Laura disse...

Oi, Paulinha,

Peguei o link do seu post lá no blog do Prof. André Lemos e citei um trecho no meu. Veja o que escrevi a respeito.

Beijos!

Mônica Paz disse...

No dia que li e comentei este post eu mandei o link dele para a lista do grupo de pesquisa Cibercidades da Facom. Ontem, quarta, dia 17/09, o prof (pós dr) André Lemos abriu a aula da sua matéria na pós graduação com a leitura de trechos e comentários desse seu post e fez uma comparação com sua recente experiência no Canadá. Parabéns, seu post foi considerado pelo professor como um depoimento em primeira mão de mudanças provocadas por tecnologias móveis no cotidiano da cidade. Veja http://www.andrelemos.info/2008/09/bus-and-cell-phone.html

Paulinha disse...

Obrigada a tod@s pela visita. Fico feliz em saber que gostaram dos meus escritos.

Paulinha disse...

Obrigada a tod@s pela visita. Fico feliz em saber que gostaram dos meus escritos.

Patricia Bispo disse...

Paulinha,

estou visitando seu blog e adorei ler seus textos crônicos da realidade.Vou continuar visitando.Uma boa sorte, inspiração,observação e ótimas escritas.

Beijos e uma boa semana.

Anônimo disse...

o que eu estava procurando, obrigado