segunda-feira, 7 de junho de 2010

Se um viajante numa noite de inverno


Acabei de ler um livro de Ítalo Calvino cujo título é o mesmo desse post.
O durante e o depois da leitura me fizeram pensar em minha relação com livros, filmes, músicas, pinturas que gosto.
Existem coisas das quais gosto e que quero guardar só para mim, por issso não ouso e nem consigo subtantivá-las e adjetivá-las. Amo porque amo. Reservo-me ao direito de simplesmente dizer que gosto, e só. É como se, ao dizer o por que, deixasse escapar um pouquinho desse sentimento precioso que mantém unidos a obra e eu.
Existem coisas das quais gosto e que a vontade compartilhar o que sinto com e por elas é imensa; não consigo nem quero controlar o fluxo das palavras, deixo fluir. É como se, ao dizer o por que, deixasse escorrer pelos poros e fizesse crescer esse sentimento precioso que não cabe em mim.
As vezes fico muito inquieta com essa mania de ter que ter o que dizer sobre tudo. Penso que nem tudo é para ser dito, nem tudo a gente consegue dizer, nem tudo a gente quer dizer. Na minha vida há espaço para um "não sei o quê", e o livro de Calvino habita esse espaço.
"Se um viajante numa noite de inverno, fora do povoado de Malbork, debruçando-se na borda da costa escarpada, sem temer o vento e a vertigem, olha para baixo onde a sombra se adensa numa rede de linhas que se entrelaçam, numa rede de linhas que se entrecruzam no tapete de folhas iluminadas pela lua ao redor de uma cova vazia, que história espera seu fim lá embaixo?"

sábado, 29 de maio de 2010

Cômoda solidão


Às vezes fico pensando que é melhor a certeza da solidão do que a esperança da companhia. Esperança às vezes é uma coisa angustiante, conflitante, ansiosa...
Por que as coisas têm que ser tão complicadas? Tão difíceis de serem administradas?
Vou me enterrar na areia de novo.
A solidão como companhia não é tão ruim: não cobra nada, não pede nada; só fica ali, quieta...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A morte do gourmet

Interessei-me pelo livro ao ver o nome da autora. Já havia lido e gostado de outro escrito de Muriel Barbery, A elegância do ouriço, e, por tabela, deduzi que A morte do gourmet seria bom.

O livro conta a história de um renomadíssimo crítico gastronômico que, à beira da morte, tenta se lembrar de um sabor que marcara a sua vida, um sabor em troca do qual ele daria tudo... Vasculhando sua memória gustativa, o gourmet moribundo proporciona ao leitor uma bela viagem, na qual é possível perceber que existe muito mais coisa do que se comumente imagina entre a língua e o céu da boca... Fiquei encantada com as reminiscências gastronômicas...

Intercalados às lembranças, aparecem relatos de personagens que conviveram com o grande crítico e as relações de amor e ódio – mais ódio que amor, diga-se de passagem – que ele despertou ao longo da vida.

Enfim, o final.

Esperava mais do final...

Ele encontrou o sabor tão procurado e, como não poderia deixar de ser, mais uma viagem gastronômica para o leitor.

Por que eu esperava mais?

Bem, ao concluir minha leitura, fiquei com a sensação de que as narrativas sobre todos os outros alimentos que saboreou pareceram mais ricas, mais complexas, mais belas.... Entretanto, no sabor tão desejado, a narrativa não tem nada de tão especial assim... É como se o livro chegasse ao fim meio sem fôlego... A princípio, não gostei. Mas, agora, ao escrever essas linhas, fico a pensar se isso não é algo de perfeita harmonização entre forma e conteúdo. Explico: para algo aparentemente simples, mas algo que satisfaz plenamente, algo que enche de plenitude, não são necessárias tantas palavras; o sabor basta-se a si mesmo, ao contrário dos outros sabores, nos quais as palavras eram colocadas para preencher algo que faltava – nos sabores – e que elas não preenchiam... Ainda não digo que gostei do fim, muito menos digo se consegui entender... Mas vale a pena ler...

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Cuidando de um blog abandonado...

Este é um recadinho para aqueles que lêm o meu blog (eu sei que pelo menos uma pessoa lê, e me pergunta pelas postagens, rs):
em 2010 tentarei dar mais atenção a este espaço e cuidadar desse blog abandonado, darei a mão e um pouquinho do braço.
Prometo!