domingo, 2 de agosto de 2009

Na bagunça dos arquivos

Outro dia encontrei um sonêto que fiz na escola (faz é tempo...) no período de aniversário da minha cidade.


Salvador


Salvador, minha cidade querida

Teu ar é cheio de vida

Esplêndida desde que surgiu

Tu és os coração do Brasil


Feliz de quem nasce em teu seio

Triste de quem sai de seus braços

Se longe de ti morre de saudades

Voltará novamente ao seu regaço


Minha Salvador é gloriosa

Dentre as outras, é formosa

Menina faceira e fogosa


Poesia, paixão, boemia

Salvador, capital da Bahia,

Tu és o coração do Brasil

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O bunner

O pôr-do-sol indicava o fim de mais uma jornadada de trabalho. Hora de ir para casa.
Ela estava no ponto de ônibus com o seu companheiro inseparável daquele dia: o bunner. Não era pesado, mas um volume bastante incômodo de transportar, principalmente para quem estava apinhada de livros.

Ficou feliz ao avistar, ao longe, o seu ônibus. Quando ele chegou mais perto, sua felicidade tornou-se dupla; apesar do horário, estava vazio. Passou pelo torniquete e sentou-se.
Em suas mãos, entre os livros que carregava, havia um em especial que estava roubando-lhe atenção desde o dia anterior. Para retomar a sua leitura, era necessário desocupar as mãos, ou seja, acomodar o bunner.

Pelo vidro da janela, percebeu que alguém dentro do ônibus a observava. Era um rapaz. Era bonito. Felicidade tripla. Talvez a produção do dia estivesse dando resultado, e ela iria colher os louros (era um dia daqueles nos quais ela acordara bem disposta e decidida a sair de casa bonita; escolheu roupa e acessários meticulosamente, caprichou na maquiagem. Precisava alimentar o seu ego com alguns olhares e elogios do sexo oposto).

Sim, o bunner. Primeiro tentou acomodá-lo na fenda entre as cadeiras, mas, na primeira parada do ônibus... lá se foi o bunner, deslizando suave entre as fendas e escapando para o chão. O rapaz continuava olhando. Ela acompanhava pelo reflexo na janela.

Segunda tentativa: colocar o bunner deitado no colo. Seria perfeito, se o bunner não fosse comprido de mais a ponto de alcançar o corredor... O rapaz ainda olhava. Ela, ainda acompanhando pelo reflexo, estava meio lisonjeada e meio sem graça. Ele tinha dois livros grossos no colo, uma pasta preta sobre o banco e um livro mais fino nas mãos. Parecia estar estudando. E ela queria ler também.

Mais uma tentativa: acomodar o bunner na fenda entre o canto e a cadeira... Nada feito! Muito estreito... Ela olhava para o livro... mas o bunner...

Resolveu colocá-lo entre as pernas. Como não havia pensado nisso antes?! Agora sim poderia ler. Um parágrafo, uma página, outra página... relaxou... esqueceu-se do bunner... relaxou as pernas... bunner na cabeça!!

Trágico ou cômico? O rapaz ao lado observava tudo. Ela aproveitou a oportunidade para estabelecer algum contato. Olhou para ele e deu o seu melhor sorriso...

Ele arregalou os olhos e não moveu mais nenhum músculo da face. Abaixou a cabeça e retornou à leitura com uma concentração desconcertante. Tão desconcertante que ela ficou desconcertada. E ele não olhou mais.

Ela desistiu do livro. Abriu a bolsa e pegou o ipod. Fone no ouvido, livros no colo e ele, o bunner, confortavelmente acomodado, tendo para si o cuidado das duas mãos que lhe serviram o dia todo.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Egoista?!?!

Hoje eu estou afim de ler um livro, de escrever bobagens, de ruminar abobrinhas sem ter a menor preocupação de que alguém leia, goste, encontre algum sentido, ou que seja alguma grande contribuição para a humanidade.

Quero escrever apenas porque gosto, porque o som do teclado é uma melodia que faz bem aos meus ouvidos. Quero ler literatura, filosofia, sem ter que me preocupar com o meu currículo lattes, quero ler simplesmente porque quero, sem nenhuma finalidade pragmática, sem nenhum sentido para além disso.

Quero ser egoísta; ler e escrever por mim e para mim. Tô meio cansada de ler para alguma coisa, escrever para alguma coisa...
Chega! Por hoje não!!




domingo, 7 de junho de 2009

Canções pela metade


Sabe, aquelas nossas canções?
Estão pela metade, assim como eu.
O violão está sem cordas
Esperando que você coloque, afinal, ele é seu.
Se eu gritasse, será que você me ouviria?
Eu podia fazer uma serenata
Com aquele violão sem cordas,
Mas você não me ensinou a tocar,
Não me ensinou a tocar...